História

Desde os primórdios da humanidade que o homem se expressa através das artes, seja em forma de desenhos, pinturas, cantos, danças. Sua história sempre foi contada através de símbolos e a partir destas expressões conhecemos sua cultura. 

As Danças Tradicionais (populares) expressam a cultura, os desejos, as necessidades, a força e o poder de um povo. De mãos dadas, onde o passado e o presente se encontram magicamente, toda a comunidade se envolve no círculo, para cantar e dançar, e quem chega depois se integra na roda, fazendo parte de toda a manifestação.

A origem das Danças Circulares Sagradas está nestas danças tradicionais. A dança popular pede espontaneidade, brincadeira, vibração, alegria pela vida. Pede também silêncio, comunhão, união, meditação, oração. É preciso dançá-las para sentir sua força, seu poder estimulando as energias criativas e organizadoras. Elas precisam ser vivenciadas e não apresentadas em palco para todos aplaudirem. 

O coreógrafo e dançarino clássico alemão Bernhard Wosien procurava encontrar um significado maior no ato de dançar, e, ao mesmo tempo, tornar a dança acessível a todos. Visitando alguns países da Europa para conhecer as danças populares, verificou o bem que elas faziam aos participantes, onde se vivia a essência do povo e se expressava a alegria pela vida.

Bernhard percebeu que alguns povos não dançavam mais as suas danças, e que algo muito importante estava sendo perdido. Ele, então, começou a fazer um trabalho de estudar e colecionar essas danças populares.

Em 1976 Eileen e Peter Caddy, fundadores da

Findhorn Foundation (Escócia), convidaram Bernhard Wosien e sua filha, Gabriele, para implantar nesta comunidade as danças de roda e as danças circulares européias. As pessoas foram muito receptivas e ele sentiu que ali era uma “Terra” fértil. Este encontro com Findhorn foi fundamental para a expansão destas danças pelo mundo.

Algumas falas do dançarino clássico Bernhard Wosien no processo de descoberta das danças de roda:

“ Na vida de cada um existem momentos nos quais é importante reconhecer espontaneamente que agora é o seu próprio gênio que lhes fala: ““faça, decida-se””. Um novo capítulo da minha vida começou quando decidi dedicar minha atenção às danças de roda e às danças dos povos... o balançar-se e o saltar entusiasmados... o que vivenciei foi a força da roda. “

 

“ Nas formas mais antigas das danças circulares encontrei o caminho para a meditação da dança, como um caminhar para o silêncio. Esta meditação tornou-se para mim e meus alunos uma oração sem palavras. “

“ O encontro com o grupo folclórico forçou o bailarino clássico em mim a reaprender. Senti-me tocado de imediato pela espontaneidade que a dança popular exige, pela rítmica muito mais fortemente diferenciada, que permite ao pé tocar o chão de uma forma completamente diferente. “

“ ... deixei-me arrebatar pela vibração das danças populares, contagiado pelo fogo maravilhoso da comunidade, que realmente dava para sentir fisicamente, em carne e osso... vi neles suas vidas. “

“ É preciso dançar estas danças, para descobrir isso; é preciso se tornar muito presente para nos apropriarmos delas, para sentir seu efeito curativo e terapêutico.”

 

Estes primeiros passos dados pelo Bernhard Wosien na descoberta da força e do poder das danças populares e o encontro com Findhorn, fez com que estas danças se espalhassem por todo o mundo. Minha eterna gratidão a ambos, considerados o pai e a mãe das Danças Circulares.

 

Em 1995, nós brasileiros, tivemos a grande oportunidade de receber Anna Barton, na época diretora do departamento de Danças Circulares Sagradas de Findhorn, para coordenar três workshop´s no Brasil: Belo Horizonte (com Carlos Solano),  Salvador (com Sirlene Barreto) e São Paulo (com Renata Ramos), a partir de uma indicação de May East (brasileira que mora em Findhorn). Várias pessoas nesta época já conheciam estas danças, mas a partir da vinda de Anna, se implantou definitivamente e fortemente as Danças Circulares Sagradas neste país. E vários professores internacionais foram sendo convidados: Peter Vallance, Marianne Inselmine, Joyce Dijkstra, Gabriele Wosien, Ray Price, Dagmar Hahn, Friedel Kloke, Laura Shannon, etc. etc. etc. Isto fez com que outros Estados se engajassem neste movimento. Minha eterna gratidão também a May East e a Anna Barton por eu ter tido a oportunidade de participar aqui no Brasil deste encontro! E a todos os outros professores.

À medida que as Danças gregas, escocesas, celtas, israelitas, húngaras iam encantando o país, as rodas brasileiras foram sentindo necessidade de resgatar e fortalecer as nossas danças e cantos sagrados (danças indígenas, cirandas, côco, samba de roda, carimbó, pau de fita, balaio, pezinho, siriri, etc.).

Em agosto de 2005 aconteceu em Salvador/Bahia um evento de grande importância para fortalecer as nossas raízes brasileiras e Celebrar o Dia do Folclore de forma vivencial: o I FESTIVAL VIVA A DANÇA!, realizado pelo Projeto Viva a Dança!, cuja intenção era proporcionar aos participantes o contato direto com a mais pura raiz, a pura tradição do Norte e Nordeste do Brasil. Estavam presentes além dos grupos que conservam esta tradição pura, alguns pesquisadores que convivem de perto nas comunidades do interior da Bahia, Pernambuco e Amazônia repassando para todos os ensinamentos destes povos de forma honrada e fiel. A intenção é no próximo Festival incluir as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

Que possamos continuar girando as rodas dos povos e fortalecer a essência do que somos.
  

   
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